Uma abordagem integrada de História, Geografia, Sociologia e Filosofia, conectando conceitos do Ensino Médio à experiência social do estudante da EJA.
Que relações podemos estabelecer entre povos africanos, áfrica e diáspora, nossa experiência cotidiana e os processos históricos e sociais que organizam a sociedade brasileira?
África é um continente formado por numerosos povos, línguas, ambientes e experiências históricas. Tratá-la como se fosse um país ou uma cultura única produz uma visão distorcida.
Ao longo da história, sociedades africanas construíram cidades, reinos, impérios, redes comerciais, sistemas agrícolas, conhecimentos metalúrgicos, filosóficos e artísticos.
Regiões do Sahel, costa atlântica, África central, oriental e austral desenvolveram trajetórias distintas. Contatos comerciais conectaram áreas africanas à Europa e à Ásia muito antes da expansão colonial europeia moderna.
Começar a história africana pela escravidão apaga séculos de experiências próprias.
2 • CONTEÚDOImpérios como Mali e Songhai participaram de redes comerciais transaarianas. Centros urbanos reuniram comércio, estudos e produção cultural. Em outras regiões existiram diferentes formas de organização política, algumas centralizadas e outras descentralizadas.
Tecnologias de agricultura e metalurgia, conhecimentos médicos, tradições orais e expressões artísticas mostram a variedade da produção humana africana.
Esses conhecimentos não devem ser avaliados apenas pela semelhança com modelos europeus. Cada sociedade precisa ser compreendida em seu contexto.
Reconhecer essa história é fundamental para enfrentar estereótipos racistas.
A expansão do tráfico atlântico transformou profundamente sociedades africanas e americanas. Milhões de pessoas foram capturadas, comercializadas e transportadas à força para diferentes regiões das Américas.
A escravização transformava seres humanos em propriedade jurídica e explorava seu trabalho. No Brasil, pessoas de diferentes regiões africanas foram forçadas a atuar na agricultura, mineração, cidades e serviços.
A palavra diáspora ajuda a compreender dispersão forçada e criação de novas comunidades e culturas. Pessoas escravizadas carregaram línguas, conhecimentos, crenças, técnicas e memórias.
Essas heranças foram recriadas em condições de violência e contato cultural.
A escravidão encontrou múltiplas formas de resistência: fugas, quilombos, revoltas, negociações, manutenção de vínculos, práticas religiosas e construção de redes comunitárias.
A cultura brasileira possui profundas contribuições africanas e afro-brasileiras na língua, culinária, música, religiosidade, técnicas, trabalho e formas de sociabilidade.
Reconhecer contribuições não significa romantizar a escravidão. É necessário manter juntas duas dimensões: violência do sistema escravista e agência histórica das populações negras.
A desigualdade racial contemporânea também exige analisar consequências históricas posteriores à abolição.
Escolha uma contribuição africana ou afro-brasileira presente em sua região. Investigue sua história sem tratá-la apenas como curiosidade folclórica.
Retome os conceitos trabalhados e explique como eles ajudam a superar explicações simplistas da realidade. Identifique pelo menos uma relação entre história, território, cultura, poder, desigualdade ou participação.
Escreva de 8 a 12 linhas respondendo à questão problematizadora inicial. Utilize pelo menos três conceitos desenvolvidos na aula e um exemplo de sua realidade ou da sociedade brasileira.